Trabalho informal cresce no sudeste; total já equivale a 38% do total no Brasil

Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Projetos divulgado pelo jornal Valor Econômico, mostrou que o trabalho informal, aquele sem carteira assinada ou registro de
pessoa jurídica, cresceu no Sudeste acima da média nacional em 2017. Conforme o levantamento, um milhão de pessoas começaram a trabalhar de maneira informal no período
entre o fim de 2016 e o terceiro trimestre do ano passado. Atualmente, existem 14 milhões de pessoas trabalhando informalmente na região, 38% do total nacional.
Os números mostram também que o avanço da informalidade no Sudeste correspondeu a dois terços do crescimento no Brasil durante o período analisado. O setor que mais
recebeu profissionais em empregos informais foi o de serviços (497 mil). Construção Civil (192 mil) e Indústria (112 mil) lideram o crescimento proporcional.
Ao Valor, Ricardo Simonsen, economista da FGV Projetos e um dos responsáveis pelo estudo, analisou o movimento em direção à informalidade: “A confiança dos empresários
ainda não foi completamente restaurada na recuperação econômica. Então, eles não contratam. Desta forma, é natural que o emprego apareça agora mais fortemente pela
informalidade”.
A informalidade, entretanto, não representa ganhos salariais, além de ter menos garantias trabalhistas e estar normalmente relacionado a atividades precárias. Em
média, um trabalhador registrado chega a ganhar 2,3 vezes mais que aquele sem carteira.

Informalidade pelo Brasil

Quando observamos o panorama nacional, encontramos aumento da informalidade em todas as regiões, com exceção do Norte, que viu os números caírem de 56,4% para 55,6%.
No Sul, o emprego sem registro cresceu de 32,1% para 33,3% do total de trabalhadores. No Nordeste, o crescimento foi de 53,5% para 53,8%. No Centro-Oeste, a fatia
cresceu de 36,6% para 37,5%.